Ao fazer negócios no Brasil, é crucial ter um conhecimento detalhado do ambiente local. Embora o país possua a maior economia da América Latina, uma enorme base de consumidores e tenha sido um refúgio para startups de tecnologia nos últimos anos, é um dos países mais desafiadores do mundo para empresas sediadas nos EUA que desejam entrar por meio do estabelecimento de entidades. O país tem um regime tributário incrivelmente complexo e em constante mudança, indenização legal por rescisão e um 13salário. No Brasil, o emprego geralmente é regido por Acordos Coletivos de Trabalho, e os funcionários têm acesso a benefícios trabalhistas significativos.
Todos esses fatores podem fazer com que empresas que se expandem para o Brasil pela primeira vez tropecem facilmente no que diz respeito ao nível de benefícios e proteções exigidos para os funcionários e outros aspectos importantes.
Segue uma lista de pontos importantes a serem considerados ao fazer negócios no Brasil.
1. O Brasil é um país em desenvolvimento.
O Brasil ainda é considerado um país em desenvolvimento devido à queda do PIB per capita, às altas taxas de mortalidade e natalidade e ao acesso limitado à saúde. E, embora seja frequentemente interpretado como um prenúncio de "alto crescimento", também significa que vários aspectos da economia ainda não estão desenvolvidos. O ambiente regulatório e a esfera de investimentos não são tão maduros quanto nos países desenvolvidos.
No entanto, o mercado consumidor está crescendo e áreas-chave de crescimento estão surgindo, como o comércio eletrônico e a indústria automotiva.

2. Baixa facilidade para fazer negócios
A reforma das leis e regulamentações para abertura e gestão de empresas no Brasil não acompanhou o crescimento da economia, apresentando diversos obstáculos para empresas internacionais. O Brasil ocupa a 124posição no relatório global do Banco Mundial, que avalia a facilidade de abrir um negócio, processar licenças, registrar propriedades e pagar impostos. Em média, são necessários 11 procedimentos e 119 dias úteis para abrir uma empresa no Brasil.

3. Foco renovado na eliminação dos altos níveis de corrupção.
Não é segredo que o Brasil apresenta níveis notórios de corrupçãoentre seus políticos e empresários de alto escalão, algo que o governo está se empenhando em erradicar. Com esse foco renovado na eliminação dos altos níveis de corrupção, iniciativas como a Lei da Empresa Limpa estão sendo implementadas. Essa lei torna as empresas passíveis de responsabilização por atos "corruptos" de seus funcionários e prevê penalidades severas para os empregadores, independentemente do conhecimento da administração sobre tais atos. Há também um código penal que estabelece os crimes.

4. Custo para iniciar um negócio
Obter todas as licenças e autorizações necessárias, bem como preencher todas as inscrições, verificações e notificações junto às autoridades locais, estaduais e federais para iniciar as operações comerciais, é dispendioso.
Não há capital mínimo exigido para abrir uma empresa no Brasil. No entanto, os maiores determinantes do custo total são os impostos, as taxas anuais de registro, as licenças municipais e as taxas de matrícula — todos definidos em nível estadual ou municipal. Eles variam de 4 9 a 13 % da renda per capita.
O registro na câmara de comércio é obrigatório em todos os estados, mas as taxas são determinadas localmente. Além disso, o registro de propriedade em muitos estados é difícil — uma empresa gasta em média 3 5 do valor da propriedade para registrá-la. O procedimento com o segundo maior custo é o registro de uma escritura de venda no Registro de Imóveis — as empresas pagam entre 0 5 e 1 % do valor do imóvel, além de um imposto de transferência imobiliária 2 0 .
Embora essas taxas pareçam altas, em contrapartida, as empresas recebem um certificado de incorporação original, certificados de ações originais e um recibo original do governo como comprovante de pagamento das taxas anuais de registro e licenciamento da empresa.
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5. Sistema tributário complexo
O sistema tributário brasileiro está entre os mais complexos e onerosos do mundo. Existem quatro tipos de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em vigor nos níveis federal, estadual e municipal. O sistema tributário brasileiro atualmente possui cinco principais impostos sobre a produção e o consumo de bens e serviços: o Imposto Municipal sobre Serviços (ISS); o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços); o PIS (Programa de Integração Social) e a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social); e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). As propostas em discussão sugerem a unificação destas cinco em uma só: o imposto sobre bens e serviços (IBS), comparável ao IVA.
Diversas alterações no sistema tributário estão sendo discutidas atualmente: uma reforma na tributação do consumo, com a fusão de todos os impostos mencionados anteriormente, e a redução da contribuição patronal sobre a folha de pagamento. Outra possível mudança poderia incluir um sistema mais equitativo que reduza os privilégios, aumentando a progressividade do imposto de renda e até mesmo tributando a distribuição de lucros e dividendos.

6. Infraestrutura de baixa qualidade
Em comparação com outros países do bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (países BRICS), o Brasil apresenta o maior atraso em infraestrutura. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 108 posição entre 137 economias em termos de qualidade de infraestrutura, o que também se reflete nos altos custos logísticos do país.
No entanto, com o Programa de Parcerias de Investimento, o governo federal está apoiando parcerias público-privadas e a participação de investidores internacionais. Os setores que se beneficiarão com esses programas incluem geração de energia renovável, infraestrutura portuária, mobilidade urbana e saneamento.

7. Escassez de competências
De acordo com o relatório “Futuro do Trabalho” do Korn Ferry Institute, o déficit de mão de obra no Brasil em todos os níveis de qualificação deverá atingir 15 milhões até 2030 8 No entanto, várias iniciativas foram lançadas para suprir a lacuna de habilidades e impulsionar o potencial de crescimento do país. Essas iniciativas promovem a requalificação e o aprimoramento da força de trabalho brasileira, adequando-a às competências mais demandadas.

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